Como é o AX na Europa?

Por Marcel Ferreira:

Olá amigos,

A convite do Rodrigo, vou escrever um pouco sobre as diferenças de um projeto de AX no Brasil e na Europa, onde trabalho a 6 meses.

Tenha em mente:

·         Esta é minha experiência e opinião pessoal. Pessoas diferentes tem experiências diferentes.

·         O projeto que estou é na criação de uma vertical, diferente de uma implantação em um cliente.

·         Já faz algum tempo desde meu último projeto de implantação, com certeza (eu espero) muita coisa já mudou para melhor.

·         Este é um projeto grande, que envolve mais de um pais e mais de um produto. Com certeza projetos de tamanho diferente e de áreas diferentes tem outros problemas.

Ok, vamos lá. Nesses 6 meses, algumas diferenças que EU experimentei:

1.       Metodologia: Na minha época, muito se falava em metodologias ágeis, SCRUM, mas raros projetos realmente utilizavam. Aqui utilizamos SCRUM, com user stories, pequenos entregáveis, uma build que sempre compila (nesta build não pode fazer check in de código que não funciona).

2.       O papel do desenvolvedor: No brasil não era incomum a visão de que o desenvolvedor e só aquele "menino que entende de computador", onde um funcional escreve uma especificação e o desenvolvedor só precisa escrever o programa com o que está escrito lá. Ele não precisa entender de negócio, não precisa "pensar", ele é apenas um "pedreiro". O resultado disse acho que todos já viram: O desenvolvedor faz, passa pro funcional testar. Ele testa, acha um erro, volta para o desenvolvedor que corrige, que volta para o funcional. O funcional acha outra coisinha, pede uma outra "pequena" alteração, volta para o desenvolvedor e assim por diante.

Por aqui e um pouquinho diferente. O desenvolvedor precisa entender o contexto, o que está fazendo, o motivo de estar fazendo e o mais importante: por que o cliente precisa desta funcionalidade e como vai utilizar. O desenvolvedor faz parte da definição, pode (e deve) opinar e sugerir diferentes caminhos. Sim, o desenvolvedor pensa! Após entregue uma história (considere entregue, feito e testado pelo dev), o "cliente" faz um teste de aceite da feature, e no fim do sprint, o desenvolvedor faz uma apresentação da(s) feature(s), mostrando um processo completo. Sim, é o desenvolvedor que apresenta, pois quem criou deve saber utilizar a feature criada.

3.       Planejamento: Este é um ponto bastante discutível e uma visão bastante pessoal. Na minha opinião as pessoas planejam muito mais por aqui antes de sair fazendo. Um exemplo disso é, já temos uma visão bastante clara do futuro do nosso produto para os próximos anos. E não se trata de uma visão abstrata. Um outro exemplo é, ninguém nunca vai pedir "um flag a mais" na sua feature. É obvio que mudanças acontecem durante o desenvolvimento, mas caso isto seja necessário, há uma nova rápida discussão do motivo, uma nova história é criada com seus user points e entra como uma nova tarefa.

4.       Uso do core: Por aqui sempre se procura utilizar o core do AX. Nada de soluções magicas e mirabolantes, nossa função e adicionar coisas que o sistema não tem. Isso (pelo menos por onde passei) costumava ser assim também, mas já vi algumas "soluções mirabolantes" que na verdade só recriavam (algumas vezes de maneira errada) algo que o AX já tinha.

5.       Semelhanças: Do lado das semelhanças, há um grande descaso com Unit test (do lado AX), como no Brasil. Todos os desenvolvedores .NET escrevem unit tests, mas do lado AX isto é praticamente nulo. Os desenvolvedores AX (principalmente os mais antigos), não se preocupam em escrever unit tests, não utilizam o teste como ferramenta para o design e acham que isso é uma grande perca de tempo. Infelizmente acho que esta é uma questão cultural de desenvolvedores de ERP. Acredito que a comunidade só teria a ganhar, e tenho feito minha parte para tentar criar a cultura no meu time. Tenho planos relacionados a isto no futuro.

Em resumo, na minha experiência, por aqui o desenvolvedor é mais valorizado, tratado no time como um igual e há mais cuidado com o planejamento do que com a execução (na minha opinião no Brasil é o oposto).

Só gostaria de lembrar que isto é minha experiência pessoal e não retrata de forma alguma a realidade como um todo. Lembre-se, projetos diferentes, experiências diferentes.

Abraço a todos!

#1 Jefferson Moraes on 1.10.2014 at 10:11 PM

Interessante saber disso.

Tem mais informações importante?

Tipo os problemas mais recorrente e como resolver?